Eleonora Beatriz

"Nonora Llorona"

Texto: Christine, Rafaella, Camila e Nina.
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Figura 1: Eleonora Beatriz com seus filhos (Christine e Carlos Oswaldo).

Eleonora Beatriz  não pode ser encapsulada em três parágrafos. Uma vida repleta e plena desde os tempos do Sacre Coeur. Era o terror das freiras no internato. Mulher de fervor religioso especialmente quando o sono está em jogo. São intermináveis Aves Marias madrugada adentro. E faz orações e promessas pra quem precisa de alguma benção. O pagamento invariavelmente inclui não comer doces, o sacrifício máximo da sua vida. 

 

Sua idade é um mistério. Mesmo sua mãe já duvidaria do número verdadeiro.

Chegou a negar entrevista para a TV na fila de vacinação contra Covid  só para não ser descoberta em cadeia nacional.

 

“Nonora Llorona”

Era assim que os irmãos Luciano e Stelio a chamavam.

Eleonora ciumenta. Ciúmes dos filhos, dos pais, ciumentissima do marido ( apesar de negar), mas principalmente dos pets. Ai de um peludinho que abanasse o rabo pra um vizinho.

Uma avó absolutamente apaixonada pelas netas - são 5! Quando as mais velhas ainda eram pequenas passavam as férias escolares com ela. Não tinham opção além de aprender a dançar todos os ritmos pra acompanhar Eleonora pé de valsa em todos os bailes. Ela chegou a fabricar identidade falsa para as netas entrarem nas festas porque afinal ela não perdia uma!

Irmã amorosa de cada um dos seus seis irmãos. A cada dor de estômago lá ia ela com mingau e gelatina e muita conversa.

Conversadeira até dizer chega! Emenda um assunto no outro. Igual a brincadeira “ a palavra é”.  Ela pega dali e sempre tem causo pra contar.

Única dos sete filhos de Oswaldo e Olga que não abraçou a carreira artística, sempre foi uma grande admiradora das artes. Tem veia artística, cheia de trejeitos, queria ser atriz de teatro mas o pai logo arrumou-lhe um emprego no Ministério da Saúde. Ela adorava trabalhar mas fico me perguntando se o Brasil não terá perdido uma outra Tonia Carrero… Um índiozinho rudimentar em lápis preto é até onde Eleonora se aventura no desenho, mas ela colore as vidas de quem está a sua volta todos os dias com o seu carinho, histórias e risadas largas.

 

Pensa numa pessoa generosa. Se sabe de alguém precisando ela move mundos e fundos até conseguir ajudar.

 

Sempre a frente do seu tempo foi uma das primeiras mulheres a desfilar de biquíni na praia de Copacabana. 

 

Hashtag Nora chique.

E é vaidosa essa tal de Nora, Nonora, Dona Léo. Está no seu DNA francês. Sempre elegante, seguindo tendências, perfumada, cabelo arrumado. Não é muito ligada nos cremes e loções mágicos mas tem uma coleção de sapatos de dar inveja a Imelda Marcos.

 

Eleonora adora uma companhia, é festeira, é rueira, mas sua independência é o que ela mais preza.  Vive apenas com seu fiel escudeiro, Zacharias, o maltês mais popular da Lagoa.

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Figura 2: Eleonora Beatriz e seu fiel escudeiro.