Mestres da Pintura no Brasil

Autor: Marcus André Teixeira


No meu último texto aqui no blog eu comentei da infância pobre de Oswaldo Teixeira e sua preocupação com os mais necessitados. E como isso marcou toda sua trajetória artística.


No livro de Francisco Acquarone “Mestres da Pintura no Brasil, no capítulo dedicado a Oswaldo Teixeira, a infância do mestre é comentada:

Nasceu no Distrito Federal, no dia 11 de agosto de 1904. Seus pais eram muito pobres, razão por que sua infância decorreu sem as delícias que os recursos proporcionam às crianças abastadas. Trazia porem dentro de si mesmo essa flama ardente que ilumina os destinos, tornando-os mais refulgentes do que aqueles que contam apenas com o brilho falso do ouro...”


Nas páginas seguintes, destaca-se o quadro “Premessa pra São Bastião” o título é esse mesmo. Sobre a pintura de “gênero” Acquarone comenta:

Um dos mais conhecidos é, sem dúvida, a Premessa pra São Bastião, no qual está fixado um dos mais curiosos tipos, remanescente da época dos vice-reis.”


E continua:

O tipo está, realmente, bem observado. Quem não conhece, com efeito, esses moleques que fazem 'premessas' aos santos de sua devoção, na intenção de se verem curados, rapidamente, desta ou daquela enfermidade? Passada a crise molestada, torna-se necessário pagar a promessa, isto é, ajustar as contas com o santo (Quase sempre São Sebastião, São Jorge ou São Benedito)... Como o dinheiro nem sempre existe para a compra do braço de cera, do pé de cera ou outro qualquer pedaço do corpo humano, Lá vai o convalescente pedi-lo pelas ruas, apelando para a caridade pública.”


Oswaldo pintou de tudo e bem, dominava todas as técnicas, era exímio desenhista, ganhou todos os prêmios que um artista pode ter, teve honrarias que jamais outro artista recebeu em toda a história, mas nunca esqueceu seu passado e os anos de dificuldades.


No livro de H. Pereira da Silva “Oswaldo Teixeira em 3ª Dimensão” o autor descreve a personalidade generosa e caridosa do amigo:

Oswaldo Teixeira, se pudesse, não fosse coagido, faria do seu luxuoso apartamento um albergue, tal era a sua preocupação com os mendigos. Também ele, a exemplo do pai, _não fosse vigiado a princípio pela mãe, depois pela mulher, Dona Olga, distribuía seu honorário de Diretor do Museu Nacional de Belas Artes com os serventes e guardas das galerias.


Seu neto Carlos Oswaldo sempre recorda:

Lembro bem. De tarde íamos a Casa Mattos comprar telas, pinceis e tintas. Na ida me dava o dinheiro para eu dar aos mendigos. Ao chegar na papelaria o dinheiro já não dava mais e ele sempre assinava a notinha. Na volta pra casa ele distribuía o resto do dinheiro que sobrava entre os mesmos mendigos.


Apesar da morte prematura, aos 70 anos, Oswaldo conseguiu agregar o valor da generosidade e da caridade no sangue da nossa família... Passou aos seus filhos, para os netos e bisnetos.


Hoje apresento 3 exemplos da chamada pintura de gênero.



















1- Premessa pra São Bastião


Nota: "Premessa" está escrito em italiano e signfica premissa em português.























2- O pão nosso de cada dia




















3- Mendiga



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