Sandro Donatello

Artista plástico, modelo, ator e professor do Parque Lage
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Fonte: Dicionário de pintores brasileiros. Vol. II, M-Z.

Inicia-se em pintura no atelier do pai, o pintor Oswaldo Teixeira. Na década de 60 viaja para Europa, intensificando seus estudos. Sua atuação no panorama artístico nacional, a partir do Rio de Janeiro, onde residiu, vem do início da década de 70.

 

Sua pintura evolui sobre temas do cotidiano, a uma reflexão profunda sobre o social, apoiando-se numa espécie de exorcismo da imagem, ou seja, no plano externo em que o real libera seus demônios. Pintura intensa, na cor, no gesto e na emoção, corresponde literalmente às exigências mais atuais da denúncia artística.

 

A seu respeito escreveu Ruy Sampaio: “O que o fascina são os temas do quotidiano. E aqui mais uma vez o paradoxal é um componente de seu trabalho, na medida em que, lançando mão de realidades sob um tratamento menos rigoroso ou criativo resultariam prosaicas, obtém climas do mais denso envolvimento. Uma visão apressada poderia inferir no sentido de dar essa pintura cheia de significados, que vão desaguar na grande pintura europeia contemporânea, como desambicioso comentário de artista do Terceiro-Mundo deslumbrando ante o portentoso e o passado em julgado da arte internacional

 

Corrigida, porém essa inflexão e retificada para um rumo mais rigorosamente crítico, o que temos é uma intertextualidade, ou seja, uma criação pessoal que se apropria, da maneira mais legítima, de todo um cabedal que a contemplação, o estudo, as viagens, o amor da discussão estética terão fornecido ao artista. Mediada por um lote de referências europeias e norte-americanas – ou, dizendo outramente, por todo um repertório pictórico da mais alta exigência – a pintura de Sandro Donatello resta visceralmente brasileira, já a partir de sua temática. Suas retomadas de motivos (e por vezes até de tratamentos) passam por um crivo fortemente personalista que incorpora plenamente o seu aqui e o seu agora.

 

Nada nesses procedimentos é gratuito e tanto mais demorada e inquiridora for a indagação do contemplador, maior soma de elementos questionadores e/ou transferenciais haverá a anotar nesse trabalho tão criativamente especulativo.

 

Não menos gratificante (e aqui não estamos falando da gratificação do olhar tão-somente, mas da cosa mentalede Leonrado) é aquela outra face do seu trabalho em que Sandro Donatello parte de suas próprias nascentes primárias, exercitando-se em ousadias, sobretudo composicionais, que violentam os cânones e frequentemente desnorteiam o olhar bem-pensante, habituado a cobrar da tela o estabelecido e sancionado.

 

Esse pintar à beira do desastre, uma de suas marcas mais tipificadoras, é certamente uma ousadia a que somente se poderia permitir quem, como ele, conhecesse a leis da composição e do cromatismo para violenta-las com maestria e subverte-las com virtuosismo”.

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